sábado, 16 de julho de 2016

Obsessiva?

16.7.16

Disseram-me hoje que a única forma de eu conseguir viver deste meu trabalho é ser assim como sou, obsessiva. 
Fico a pensar nesse termo doentio. 
De dia costuro, e de noite e nos fins de semana, faço tricot. 
Talvez. Talvez eu seja obsessiva. Eu penso nestas coisas sem pensar, se é que me faço entender. Não consigo não fazer estas coisas todos os dias. 
Tu que me conheces, que me dizes?

domingo, 26 de junho de 2016

algo único

26.6.16


A primeira vez que apareceu no atelier pediu-me que lhe fizesse uma carteira. Definiu os seus critérios e disse que eu deveria pôr o meu cunho pessoal. Isso e o Z. Fiz-lhe a carteira, mas nem foi à primeira nem à segunda. Depois eram umas calças que adorava. Demorei uma eternidade. Assim não, depois era eu que não gostava... E com elas nasceu a Re-uZ. De uma certa forma foi ele que a criou. É, de longe, a lonjura duma galáxia distante, o meu cliente mais exigente e o meu amigo mais crítico, e se o ouço, é só porque sei que ele tem olho de lince. Fez anos um dia destes. Fiz-lhe esta camisa. Só tem as costuras base de màquina, todo o resto foi feito à mão. Cada pesponto. Sem molde. Sem rede. Cada ponto frustrado desmanchar... Cada ponto certeiro sorridente. Não lhe disse porquê e digo agora: sempre que vai buscar uma peça diz sempre: Espero que me dure a vida toda. E também porque estima as coisas como nunca vi ninguém estimar. Podia tê-la feito toda à maquina. Não seria a mesma coisa. Não teria o mesmo brilho e não teria sido algo meu. No quase final reclamou e disse: falta o Z. Na foto não se vê. Ficou nas costas. Confesso que ainda estou à espera que ele apareça lá com algum defeito. Mas para mim que a fiz do zero, digo: it Always seems impossible until it's done. Para mim está perfeita.

domingo, 5 de junho de 2016

Sueños Sonhos

5.6.16

Ayer recibí mi libro en español. Alguien me felicitó por hacer realidad un sueño. 

Lo siento por desilusionar. Nunca había soñado escribir un libro, ni en portugués, así que menos en una segunda lengua. 

 

Comencé a “tricotar” a hacer punto a los 8 años. Fue mi madre quién me enseñó.  En esa altura yo soñaba con ser bailarina y la Mujer Maravilla. A los 10 años  me dicuenta que no podía ser bailarina porquetenía dos pies izquierdos y la Mujer Maravilla, mmmm....

Pasé a tener sueños menos exigentes, como por ejemplo, ser profesora.

 

Entretanto, hacía punto.

 

Cuando acabé la escuela, fui a trabajar a una oficina donde pasaba horas delante del ordenador  y telefoneando a los clientes para pedirles dinero, sólo soñaba con que llegasen las 5 de la tarde.

 

Por la noche, seguía haciendo punto.

 

Nunca llegué a soñar con casarme o ser madre, finalmente me casé y fui madre. Mientras imaginaba como sería la cara de mi bebé, continuaba haciendo punto.

 

Un día cambié de vida, no fue ningún sueño, os lo aseguro, fue más bien todo lo contrario, pasé a abrir un taller de cosas que me gustaban hacer,  ¡qué sorpresa! , pero nunca imaginé que sería a jornada completa.  Al igual que cuando me invitaron a escribir un libro, ¡me quedé sorprendida!

 

Hago punto desde los 8 años y ya van casi 40 años tejiendo. Era mi “terapia” pero os puedo garantizar que dejó de serlo rápidamente. 

 

En el medio de los P1, 2PR, 3PD... Este inicio de “carrera” fue de todo menos un sueño. 

 

Mi editor me dijo el sábado, que  parecía que no le estaba dando importancia a todo esto. Y claro qué no, aún no doy crédito a todo lo que está sucediendo, aquel  sueño se había convertido en una realidad. 

 

Como ya he dicho en varias ocasiones, dejó de ser para mí una terapia y se convirtió, de algún modo, en una terapia para vosotros, valió la pena no contar con este sueño.

 

Yo nunca fui de muchos sueños. Ideas tengo muchas, y ya veis, en este libro van nada más y nada menos que ¡ 60!

 

Y sí, estoy tan feliz que se me llenan los ojos de lágrimas, ¡fijaos! 

En mi vida nunca se me había pasado por la cabeza escribir un libro, impreso, en papel, de verdad... ¿Quién hubiera dicho que esto me iba a suceder a mí?

 

Para quién nunca haya oído hablar de , (creo y confieso que nunca nadie en España lo ha hecho), me gustaría decirosvarias cosas: espero que os guste el libroque se entiendaporque yo no tengo idea de lo que está escrito. Y me da tanta pena no haber aprovechado las clases de Español de María...

 

Deseo, sinceramente, que con mis ideas y con las ayudas que creo que están en las páginas de este libro, consigan hacer piezas aún más bonitas de las que yo he hecho, que algunas sean de ensueño, otras que sean un sueño y otras un sueño no tansoñado.


--


Ontém recebi o meu livro em Espanhol. Alguém me deu os parabéns pela realização de um sonho.
Lamento desiludir. Nunca tinha sonhado escrever um livro, nem em português, quanto mais mais vê-lo traduzido para uma segunda língua.

Comecei a tricotar aos 8 anos. Foi a minha mãe quem me ensinou. Nessa altura eu já tinha sonhado em ser bailarina, e a Mulher Maravilha. Aos 10 percebi que bailarina eu não ía ser porque tenho dois pés esquerdos e a Mulher Maravilha, hmmm...
Passei a ter sonhos menos exigentes, como ser professora. 

Enquanto isso, tricotava.

Quando a escola terminou, fui trabalhar num escritório onde passava horas a fio ao computador e a telefonar aos clientes a pedir dinheiro, e sonhava que fossem 5 da tarde.

À noite, tricotava.

Nunca tinha sonhado em casar ou ser mãe, e casei, e fui mãe, e do segundo, enquanto sonhava ver o rosto da minha bebé, tricotava.

Um dia mudei de vida, e também não foi nenhum sonho, acreditem, foi mais o contrário, e abri pasme-se um atelier, de coisas que eu gosto mesmo de fazer, mas nunca tinha sonhado fazer assim a tempo inteiro, e pasme-se, de repente convidam-me para escrever um livro.

Eu tricoto desde os 8 anos, e já vão quase 40 a tricotar. Era a minha "terapia" mas podem crer que deixou rapidamente de o ser. No meio dos P1, 2ML, 3MM... Este início de "carreira" foi tudo menos um sonho. 

O meu editor estava a dizer-me no Sábado, que eu não parecia estar a dar muita importância a tudo isto. É claro que não, ainda não estava a acreditar. Não estava a acreditar, nem estou ainda, que, este meu não sonho, se tornou uma realidade.

Como eu já disse, várias vezes, se deixou temporariamente de ser uma Terapia para mim, e se torna de alguma forma uma terapia para vós, valeu a pena não ter sonhado com isto. 

Eu nunca fui muito de sonhos. Ideias tenho muitas, ora aqui neste livro tenho nada mais nada menos que 60!

E sim, estou tão feliz que me vieram as lágrimas aos olhos, vejam só,
O meu NUNCA me tinha passado escrever um livro na vida pela cabeça, impresso e, papel, um livro a sério, 
Quem diria que isto um dia me iria acontecer!

Para quem nunca ouviu falar de mim, (confesso que acho que ninguém em Espanha alguma vez ouviu falar em mim), queria dizer: espero que gostem. espero que se entendam, porque não faço ideia do que está escrito neste livro. E tenho tanta pena de não ter aproveitado as aulas de espanhol da Maria. 

Espero muito sinceramente que, com as minhas ideias, e com a ajuda que eu penso estar nas páginas deste livro, consigam fazer peças ainda mais bonitas do que as que eu fiz, que algumas sejam de sonhos, algumas sejam um sonho, e outras um não sonho tornado sonho.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

dos miúdos...

2.6.16

A velha história. Crias dois, da mesma maneira. Um é tranquilo, a outra...
Ás vezes, doem-me as cordas vocais de gritar com ela. Para quê mentir? A maternidade não tem de ser perfeita. eu não sou uma "doce senhora" e sim, eles são o meu melhor. ainda assim, tenho dias que a bruxa má ao pé de mim, seria um doce. 
No fundo também os tento "engordar", ainda que não para o mesmo efeito.
Até para alguem que está a anos luz de ser mãe galinha, caramba, tenho de confessar, que nunca tendo sonhado em ser mãe, e correndo o sério risco de chegar aos 50 sem voz, vale a pena entrar no quarto  deles para ver esta imagem.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

47

23.5.16

(Thank you R for the photo)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mulher

7.3.16

No outro dia conversava contigo, lembras? Sobre isto. Lembrarmo-nos. Termos tempo. Fazer-mos as coisas que gostamos. E dizias-me, que às vezes esquecias-te. 
Esquecemo-nos. Andamos a correr. Os empregos e ateliers. Os miudos. Tomar conta de coisas. Responsabilidades. 
Chegamos a casa. Ha coisas para arrumar. Gente para alimentar. Esquecemo-nos dos "rolos no cabelo" ou pior, esquecemo-nos de por os "rolos no cabelo"; falo por mim, só ha umas semanas comprei uma escova. Compro cremes que nunca uso. Alguem deve gostar muito de mim lá em cima, que a minha cara e o resto ainda não descaiu sabe-se lá porque estranho milagre, aos 46 anos. Esqueço-me dos cremes. De por aquelas máscaras verdes que se veem no cinema.
Também é certo que pouco arrumo a casa. Não sei o que faço a esse tempo, ah, espera, há uma coisa que faço, tomar banhos de espuma e comer batatas fritas, disse-te?
Não faço muitas coisas para ser mulher, há coisas que não gosto, coisas que acho não preciso, mas confesso-te que tenho uma queda por roupa interior bonita, e acho sempre que não importa se de facto as outras pessoas veem, o que nós gostamos é que vale. 
Mas eu tambem me esqueço, era isso que te queria dizer. E não podemos. Mesmo se formos mães ou tivernos muito trabalho ou isto ou aquilo. Só uns minutos vá, para honrar as que não se podem dar ao luxo de ser mais mulheres.
E quem diz estas coisas "futeis" diz todas as outras, reclamar cada dia pelo que precisamos, ou queremos, exigir. SER.
Amanhã é novamênte o dia da mulher. Ja sabes que odeio. Odeio que ainda seja preciso, francamente que pensei que quando chegasse a esta idade já não fosse preciso. E o dia da mulher não é sobre coisas pequenas como batons, e saltos altos ou escolher andar descalça ou nua. 
Mas tambem é. Não é?
Olha-te ao espelho.
Olho-me ao espelho.
Sou uma. A cada dia que passa o meu rosto vinca. O meu feitio vinca. 
Sou uma. Nalguns dias preciso que me lembrem, que me digam que sou bonita, inteligente.
Mas cá dentro seja ou não, eu lembro-me mais vezes do que me esqueco.
Gosto de ser uma, e não trocaria, a não ser, talvez que não pudesse, como muitas ser apenas ELAS MESMAS.

Por isso, lembrei-me destas palavras da Clarisse. Acho sempre que ao ler estas palavras me sinto ainda mais mulher.

" pareceu-lhe então, meditativa, que não havia homem ou mulher que por acaso não se tivesse olhado ao espelho e não se surpreendesse consigo próprio. Por uma fracção de segundo a pessoa se via como um objecto a ser olhado, o que poderiam chamar de narcisismo mas, ja influenciada por ulisses, ela chamaria de:gosto de ser."

Agora vá, ja sei que ha coisas mais importantes para pensar e fazer, para quando a minha filha for um pouco mais velha, não receba mensagens no telemovel a dizer que amanhã se vai jantar fora. Afinal ainda nao perdi a esperança que, um dia, não seja preciso.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Aprender quando se ensina.

2.3.16

Sempre que ensino, aprendo.
Perguntei se sabiam o que era a palavra portuguesa para "tricot", era malha. sabiam.
Expliquei duas vezes a uma crianca de 6/7 anos como se tricotava e ele aprendeu na hora.
Os meninos da sala, tanto quanto as meninas, queriam experimentar. 
Um deles chegou a casa e pediu à mãe umas agulhas, e alguém lhe deu umas. Porque afinal, quando somos assim como estes meninos, ainda não percebemos que os crescidos esperam de nós que nos comportemos como homens ou mulheres, nao entendendo que os verdadeiros homens e as verdadeiras mulheres podem fazer de tudo. De tudo que lhe dê prazer. E no fim, quando a "professora da malha" se vai embora, também é permitido abracar e agradecer.
Sempre que ensino, aprendo. 
Há miudos que são mais crescidos aos 6/7 anos, que são depois. 
Os miudos, ensinam coisas, nós só precisamos ouvir, e aprender!